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Jordânia - vestígios importantes da humanidade

04/04/2018
Petra é declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco
O anfiteatro romano de Amã, capital da Jordânia

Oásis de tranquilidade no meio do turbulento Oriente Médio, a Jordânia concentra vestígios de alguns mais importantes episódios da humanidade

Por Xavier Bartaburu*. Especial para a The Traveller

 

Receita de viagem perfeita: comece com as ruínas de uma importante metrópole do Império Romano, acrescente um castelo medieval erguido pelos cavaleiros das Cruzadas e, ainda, o monte sagrado onde Moisés supostamente pôs os pés. Não deixe de incluir a noite com os beduínos no meio do deserto, o tratamento de pele no Mar Morto e a visita a uma das capitais mais cosmopolitas do Oriente Médio. Por fim, complete a aventura com uma cidade mítica – e mágica – que conquistou a honra de figurar entre as novas Sete Maravilhas do Mundo.

Sabe aquele tipo de lugar que, depois de visitar, te dá a sensação de ter estado em muitos lugares diferentes? A Jordânia é assim. Afinal, faz pelo menos uns 10 mil anos que este pequeno reino árabe vem testemunhando os grandes acontecimentos da humanidade – a começar pelo nascimento da agricultura. Gregos, romanos, judeus, babilônios, árabes, turcos, cruzados, beduínos, de tudo um pouco passou por aqui. Nem todos, claro, deixaram vestígios relevantes. Mas quem deixou, o fez em grande estilo. E fez da Jordânia uma das nações mais cativantes da região, recheada de atrativos concentrados num território compacto e, sobretudo, seguro: numa região altamente instável como o Oriente Médio, é no mínimo admirável que o país tenha sofrido seu último atentado terrorista há 12 anos.

Petra é, sem dúvida, a joia maior dessa coroa – tanto é que foi eleita, numa enquete global, uma das novas Sete Maravilhas Mundiais. Justíssima distinção: este é, afinal, um dos sítios arqueológicos mais fabulosos do planeta.

Sabe-se pouco a seu respeito, exceto o fato de que foi construído para ser a capital dos nabateus, mercadores enriquecidos com o comércio de seda, incenso e marfim na Antiguidade. Para manter seus tesouros bem guardados, eles se refugiaram há 2 mil anos num vale remoto, cujo único acesso era um desfiladeiro estreito e muito bem vigiado. Os nabateus podem até ter tido a intenção de se esconder, mas é evidente o impacto que planejavam causar nos forasteiros que acaso viessem a penetrar o vale. De tal forma que, hoje, mesmo em ruínas, não há quem não fique de queixo caído diante das centenas de tumbas entalhadas na encosta das montanhas, quase como palácios para o repouso dos espíritos. Há até um teatro cavado na pedra, com capacidade para 5 mil espectadores. Petra, por si só, já vale a viagem.

Mas a Jordânia tem muito mais a oferecer. Sobretudo para aqueles que adoram uma aulinha de História a céu aberto. Jerash, por exemplo, é uma das mais bem preservadas cidades romanas do Oriente Médio. Tem ruas, praças, templos, teatros e um hipódromo imenso, onde os turistas assistem a encenações de corridas de bigas e lutas de gladiadores. Já Kerak é um castelo construído no século 12 por soldados cruzados em guerra na Palestina, cheio de túneis e passagens secretas.

Madaba, cidade vizinha ao castelo, tem um tesouro do século 6: um mapa da Terra Santa, feito em mosaico, destinado a orientar os peregrinos a caminho de Jerusalém. Sim, a Jordânia também é bíblica. No vaivém das fronteiras ao longo dos milênios, alguns dos cenários mais importantes da Bíblia acabaram ficando do lado de cá do Rio Jordão. Entre eles, o suposto lugar onde Jesus teria sido batizado, o túmulo de Aarão, irmão de Abraão, e o Monte Nebo, de cujo cume Moisés teria avistado a Terra Prometida. E, se a esta altura, você está achando que a Jordânia é só passado, saiba que ela atende muito bem às necessidades mais contemporâneas. Amã, a capital, é jovem e cosmopolita, reflexo de uma das sociedades mais liberais do mundo islâmico. Aqui, no lugar de labirintos medievais e antigos bazares, você encontra uma porção de bares, restaurantes e galerias de arte. De uns anos para cá, a Jordânia investiu pesado na infraestrutura e no turismo. Há hotéis de primeira linha espalhados por todo o país, das grandes redes internacionais a hospedagens de charme. Até os beduínos, lendários bandoleiros das Arábias, entraram na onda, montando acampamentos de luxo no meio do deserto. E que deserto: a região onde moram, chamada de Wadi Rum, é um lindo vale forrado por montanhas que mudam de cor e textura conforme avança a luz do sol. É lugar para se contemplar o dia inteiro, de preferência acomodado sobre umas almofadas, com um copo de chá de hortelã nas mãos.

Luxo ainda maior é entregar-se aos poderes curativos do Mar Morto, certamente o mais antigo spa natural do mundo. Basta hospedar-se num dos muitos resorts instalados em suas margens, deleitar-se com o extenso cardápio de terapias oferecidas e, por fim, deixar seu corpo flutuar nas águas mais salgadas do planeta. Destas margens, cem séculos te contemplam. 

 

Quando ir

março a maio e setembro a novembro

 

Onde Ficar
 

Grand Hyatt Amman
Amã
Situado no coração do distrito financeiro de Amã, o hotel segue o elevado padrão de qualidade da rede. Possui sete restaurantes e bares – com destaque para o The Terrace, na cobertura, com vista para a capital da Jordânia.

 

Kempinski Ishtar Dead Sea Hotel
Mar Morto
Não bastasse estar às margens do Mar Morto, o hotel tem uma praia privativa, exclusiva para os hóspedes. No spa, são dezenas as opções de tratamentos corporais à base da lama e do sal do Mar Morto.

 

Movenpick Resort Petra
Petra
A combinação de pedra natural, móveis artesanais de madeira e tecidos orientais dão a este hotel um ar de palácio oriental. É o resort mais próximo das ruínas de Petra – um excelente lugar para comer e relaxar depois de visitar a mítica cidade de pedra.

 

* Xavier Bartaburu. Jornalista, fotógrafo e viajante com o mesmo tempo de estrada e de profissão, registra o patrimônio cultural e ambiental do mundo há quase duas décadas. O resultado de seu trabalho encontra-se publicado em mais de 20 livros.

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